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Meia-noite em um mundo perfeito

In sen categoria on 23.04.2013 at 3:45 AM

“Algumas pessoas são como verdadeiras tempestades”.

Pensou enquanto olhava para cima, enquanto esperava o próximo trem. Céu azul, poucas nuvens e o Sol desafiando os vagões estacionados com seus raios matinais. A manhã caía vermelha e forte pelos trilhos, pelos dedos e tranças do cachecol mal enrolado, parecia ferir o rosto branco e pálido em mais um começo de semana. A única coisa que parecia mais fria do que tudo naquela manhã.

Olhava as pessoas, todas conectadas e cada vez mais distantes umas das outras. Pensou em cada uma das suas pessoas, poderia chamá-las assim… Cada tempestade, cada manhã quente escondida em olhos sem brilho e caras pálidas, procurando um destino ao longo dos trilhos. 

(…)

A tarde cai, o vento frio corta os cílios enquanto anda. Caminhar. Caminhava para esvaziar a mente, cada passo espalhando pensamentos e areias de ampulheta pela calçada, os grãos voando e caindo no olho de qualquer outro distraído por aí. O que é o tempo? Pensou e prestou atenção nos pés enquanto andava e viu que não caía nada, não havia areia, não havia tempo. Nem manhãs quentes nem tempestades. Só o frio do vento.

(…)

O relógio da parede do quarto marca 15 minutos depois da meia-noite. As paredes brancas e as camas frias como seu rosto recém chegado de noite. Rolou no carpete até a janela para olhar a lua, quis tirar uma foto mas lembrou de não sei quem que disse uma vez que hoje em dia tiramos fotos não para lembrar, mas para esquecer das coisas. A tela azul ao lado mostrava o mundo e competia com a noite, mas não coloria o suficiente, a noite preta na janela lhe puxava para fora.

Meia-noite em um mundo perfeito. 
Desligou-se do mundo azul e afundou-se com a lua na areia do chão. Puxou um cigarro, ele e a areia eram o que havia mais próximo de um abraço naquele instante. 
De repente ficou tudo quente, e tudo agora era fumaça. Tudo era de novo silêncio.

 

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Flashforward

In sen categoria on 27.03.2013 at 1:26 AM

… Foi quando olhou para o lado e teve a visão daquela noite. 

Estava no computador, mergulhando em tantos textos e outras tantas vidas virtuais quando a parte entre a parede e a porta do quarto rasgou em uma cena de fração de segundos. 

Era noite, em uma sala bem alaranjada pelo fogo havia uma silhueta conhecida na frente e arabescos do ferro brincando de sombra na frente da lareira, e um burburinho aconchegante quebrando um certo frio.

Sentiu a luz e o calor da sala batendo em sua bochecha, na face direita. Mas assim que virou pra olhar, de maneira brusca a sala e o calor desapareceram, viraram fumaça. Ao menos teve tempo de reconhecer a silhueta, viu que não estava sozinha.

A partir daquele momento, as frações de segundos virariam filmes intermináveis em sua cabeça, teorias extensas do que poderia ter acontecido ali, na frente da lareira naquela sala laranja. Até que, finalmente, a tal da noite chegasse.